Professores recorrem ao Protocolo FEL após agressão entre alunos em escola de Chapecó
Fotos: imagens de arquivo
Uma ocorrência registrada nesta sexta-feira, 22, em uma escola de Chapecó, voltou a evidenciar a importância do protocolo FEL (Fugir, Esconder e Lutar) e da preparação das forças de segurança e das equipes escolares para situações de violência no ambiente educacional. Após uma briga entre dois alunos, na qual um adolescente de 15 anos foi gravemente ferido com um canivete, professores e estudantes viveram momentos de tensão. O caso só não teve consequências mais graves graças à rápida atuação dos profissionais envolvidos.
O coordenador do Programa Escola Mais Segura da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC), major Leonardo Baccin, destaca dois pontos cruciais que contribuíram para garantir a segurança de alunos e professores durante o incidente. O primeiro foi a imediata aplicação do protocolo FEL pela equipe escolar, que reuniu os estudantes em salas de aula para preservar a integridade física das crianças e dos jovens em meio ao cenário de caos.
“O caso de Chapecó reforça a relevância do protocolo FEL, adotado como ferramenta de orientação para episódios de alta ameaça. O procedimento busca preparar professores, gestores, funcionários e estudantes para agir com rapidez, organização e foco na preservação da vida, reduzindo danos até a chegada das forças de segurança”, explica Baccin.
Outro destaque da ocorrência foi a pronta resposta da Polícia Militar, que chegou à escola em menos de dois minutos, segundo informações do registro policial. A atuação evidencia a importância da ação rápida em casos críticos, quando cada minuto pode ser decisivo para conter a situação, prestar socorro e proteger a comunidade escolar.

Treinamento é intensificado em SC
O avanço dessa política de prevenção vem sendo tratado como prioridade em Santa Catarina. Recentemente, cinco seminários macrorregionais foram realizados em Campos Novos, Araranguá, Rio do Sul, São Bento do Sul e São Miguel do Oeste. A iniciativa do Estado de implementar o Plano de Contingência Multirriscos para Unidades Educativas é considerada pioneira no país.
O trabalho reúne forças de segurança, Defesa Civil, gestores públicos e comunidade escolar, com foco na criação de protocolos integrados e no fortalecimento da cultura de prevenção. Entre as medidas apresentadas está justamente a aplicação do protocolo FEL, voltado à resposta em situações de agressor ativo e outras ameaças graves.
O trabalho preventivo nas escolas catarinenses terá novo desdobramento já na próxima semana. No dia 26 de maio, durante o evento “Assembleia Itinerante”, será realizado em Araranguá um simulado envolvendo escolas públicas e particulares, com a participação de centenas de educadores. A ação reforça que a preparação não está restrita a uma cidade ou a um episódio isolado, mas integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da segurança escolar em Santa Catarina.
Diante da ocorrência em Chapecó, o coordenador do programa Escola Mais Segura reconhece que o protocolo FEL ganha ainda mais visibilidade por representar uma resposta concreta a um problema que exige preparo permanente. Mais do que uma orientação técnica, o protocolo se consolida como instrumento essencial para o organizar a reação inicial da escola e dar suporte ao trabalho das forças de segurança.
“Em última análise, Santa Catarina está fomentando o verdadeiro senso de “cultura situacional”, ou seja, que cada cidadão possa analisar os ambientes, riscos, pessoas envolvidas e agir, assim, de forma mais consciente”, conclui Baccin.

Protocolo FEL
O Protocolo é uma diretriz de segurança internacional, adotada no Brasil por instituições como a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), para agir em situações de emergência com agressores ativos (ataques violentos, como invasões a escolas).
O treinamento orienta a comunidade a seguir a seguinte ordem de ações:
Fugir: Se houver uma rota segura, a prioridade absoluta é evacuar o local o mais rápido possível. Deixe seus pertences para trás e ajude outros a escapar;
Esconder: Se a fuga não for segura, tranque-se em uma sala, apague as luzes, afaste-se de portas e janelas e silencie os celulares. A ideia é criar um ambiente que passe a impressão de que o local está vazio;
Lutar: Esta é a última alternativa, utilizada apenas quando a vida está em risco iminente e não há possibilidade de fuga ou esconderijo. Consiste em agir em grupo, usando objetos do ambiente (cadeiras, extintores) para incapacitar ou desorientar o agressor.
Este método foi criado originalmente nos Estados Unidos (difundido pelo FBI e pelo Departamento de Segurança Interna) e tem sido aplicado no Brasil para capacitar professores, alunos e funcionários a salvarem vidas em momentos de crise.
Rafael Pereira Cardoso
Assessor de Comunicação
Secretaria de Estado da Segurança Pública
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